Nesta seção você encontrará informações e curiosidades sobre diversos temas que rodeiam o universo das baianas. Para ler, basta clicar nas opções abaixo:
As Baianas: É preciso ser baiana para saber usar uma roupa assim!
Quanta pompa no andar dengoso e cadenciado...
As "baianas" atuais descendentes de africanos (das tribos ioruba, nagô, mina, fula, haussá) são as que mais se esmeram no trajar.
As nagô, cuja presença maior se nota nos candomblés, são baixas e gordas. Usam cores vivas, berrantes. Saia ampla toda estampada.
A baiana-mulçumana (do Sudão da África), alta e esguia, usa o traje branco imaculado. Às vezes, no ombro um "pano da Costa" preto (pano vindo da Costa da África).
O traje típico é assim: saia rodada, com muitas anáguas rendadas, engomadas. Bata (blusa de rendas) solta. Pano da Costa, como um xale, sobre o ombro ou turbante. Chinelas ou sapatos de salto baixo.
E o que mais? Muitos e muitos enfeites: pulseiras, brincos de ouro, prata, coral. Algumas nos dias de festa,usam uma penca de balangandãs na cintura. Imagine tudo isso e ainda todo o encanto que a baiana tem...
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Ala de Baianas: A ala de baianas é a mais importante ala de uma
escola de samba, composta, preferencialmente, por senhoras vestidas com roupas que lembram as antigas
tias baianas dos primeiros grupos de samba, no início do século XX,
Rio de Janeiro.
A roupa clássica das baianas compõe-se de torso, bata,
pano da costa e saia rodada. Entretanto, a inventividade dos carnavalescos não tem limites e freqüentemente podemos ver baianas com as mais inusitadas fantasias, tais como noivas, estátuas da liberdade, seres espaciais, globo terrestre ou poços de petróleo.
- Pano da costa: O pano da costa é parte integrante da indumentária de baiana característica das ruas de Salvador e do Rio de Janeiro no século XIX.
Usado sobre os ombros o pano da costa teria como principal função, de acordo com o pesquisador Lodi (2003), distinguir o posicionamento feminino nas comunidades afro-brasileiras.
Geralmente retangular, o pano da costa é tradicionalmente branco ou bicolor (listrado ou em madras) podendo ser bordado ou com aplicações em rendas.
O nome pode ter derivado de sua origem (a
Costa do Marfim, na
África) ou do fato dele ser usado preferencialmente jogado sobre os ombros e costas.
As fantasias da
ala de baianas das escolas de samba freqüentemente exibem panos da costa. Muitas vezes esses elementos são transfigurados de para se adaptarem aos temas da roupa.
- O Tabuleiro da Baiana: Um pedaço da África se mudou para o Brasil com os escravos. É fácil encontra-lo nos quitutes que as baianas preparam, na comida mais "quente" do Brasil. A "quentura" é dada pela pimenta de cheiro ou malagueta.
Da África chegou o azeite de dendê, o quiabo, o inhame, o amendoim, o gengibre. E surgiram os célebres pratos baianos: acarajé, abará, acaçá, efó, ximxim de galinha... Com muitos segredos que só as baianas sabem...
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Barqueiros: No rio São Francisco, limite natural entre Sergipe e Alagoas, há navios de alto mar que chegam até a cidade de Penedo. Da foz até Piranhas, o rio milionário é singrado por taparicas (canoas), chatas, barcaças e as canoas de tolda.
Fonte: Brasil, Histórias, Costumes e Lendas / Alceu Maynard Araújo - São Paulo: Editora Três, 2000
- Criação da ala das baianas: Foi na gestão de Roberto Paulino, biênio 60/62, na Mangueira, que foi criada a Ala das Baianas com as características atuais. Eram 125 baianas coordenadas por D. Neuma. Foi no desfile das campeãs em 1970, quando o Presidente era Juvenal Lopes que a mais famosa baiana da Mangueira Nair Pequena, morreu em plena avenida, quando a escola cantava o samba de enredo "Um Cântico a Natureza".
- Ala das Baianas era formada por homens: A ala de baianas na década de 30 era formada, quase exclusivamente, por homens que saíam nas laterais das Escolas portando navalhas presas às pernas para defenderem as agremiações em caso de brigas.
- Porque o carnaval tem datas diferentes todo ano: O primeiro domingo após o 14º dia de lua nova é o domingo de Páscoa. Ou, o primeiro domingo após a lua cheia, posterior ao equinócio da primavera é o domingo de Páscoa. Se o 14º dia da lua nova ou da lua cheia posterior ao equinócio da primavera cair no dia 21 de março e for sábado, o domingo de Páscoa será no dia 22 de março. Entretanto, se a primeira lua cheia, isto é, o 14º dia após o equinócio da primavera for 29 dias, depois do 21 de março, o domingo de Páscoa só poderá ser 25 de abril, isto é, o mais tarde possível. Como o primeiro dia da lua nova, antes de 21 de março se situa necessariamente, entre 08 de março e 05 de abril, a Páscoa só pode cair entre 22 de março e 25 de abril. O domingo de carnaval cairá sempre no 7º domingo que antecede ao domingo de Páscoa.
- O carnaval no Pelourinho é animado por fanfarras e afoxés.
- O carnaval começou com grupos de mascarados que saíam às ruas fazendo brincadeiras.
- O primeiro trio elétrico foi um Ford 1929 com amplificadores, "o Fobica".
- Pedir um colar aos filhos de Gandy, no carnaval, é pedir um beijo.
- O carnaval na Bahia é comemorado desde o século XVIII.
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Orixás e Santos:
- As cores de Oxóssi são o verde e o azul. Seu dia da semana é a quinta-feira.
- O Exu é o mensageiro entre os homens e os orixás. Seu dia da semana é segunda-feira e a sua cor é o vermelho.
- Sábado é o dia de todas as labás.
- Na Bahia existe uma tradição em homenagear ao Deus Oxalá, vestindo-se roupas brancas nas sextas-feiras.
- Logun Edé é o orixá das matas, prefere a selva como morada. É caçador. Seu dia da semana é a quinta feira. Suas cores são o azul e o amarelo.
- Iansã é o orixá dos ventos e tempestades. Seu dia da semana é a quarta-feira. Sua cor é o vermelho.
- Cada orixá tem seu correspondente na Igreja Católica, com suas características próprias, como: Domingo é dia de todos os Orixás. Terça é dia de Santo Antônio, e o Olodum dá a sua benção.
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Comemorações:
- O dia 25 de novembro homenageia as baianas em Salvador. No Rio de Janeiro, a comemoração acontece no dia 02 de fevereiro.
- Fundação da Cidade de Salvador: 29 de março.
- Festa da Independência da Bahia: 02 de junho.
- Procissão do Nosso Senhor dos Navegantes - Festa da Boa Viagem: 01 de janeiro
- Festa da Lapinha ou de Reis: Dias 05 e 06 de janeiro.
- Festa da Nossa Senhora da Conceição da Praia: 08 de dezembro.
- Salvador:
- Capital do Estado da Bahia, Salvador foi fundada em 29 de março de 1549, tendo sido capital do Brasil até 1763.
- No século XVII, Salvador foi recontruída pelos portugueses, em função das lutas contra os holandeses que invadiram e destruíram a cidade. Com isso tornou-se um espécie de réplica de Lisboa.
- As obras em azulejo de Bel Borba enfeitam Salvador.
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Etimologia:
- O nome Tororó tem sua origem na palavra tupi "itororó" que significa "o jorro", "o enxurro", "a enxurrada".
- A palavra Pituba, que nomeia um dos bairros famosos de Salvador, é de origem indígena, significa "bafo, exalação, maresia".
- Os brasileiros nascidos em Salvador são chamados de Soteropolitanos que, no grego, significa a junção de soteros, "salvador", mais polis, "cidade"; "soterópolis".
- A palavra "carnaval" vem de "carne vale", ou seja, adeus à carne. É, portanto, uma comemoração de origem religiosa.
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Personalidades:
- Dona Zica (Eusébia Silva do Nascimento) –1913/2003
Líder comunitária e símbolo da Escola de Samba estação Primeira de Mangueira.
Eusébia Silva do Nascimento nasceu em um domingo de carnaval, no subúrbio do Rio de Janeiro. Aos quatro anos de idade, Zica mudou-se com sua família para Mangueira.
Com dezenove anos casou-se com Carlos Dias do Nascimento, tendo que morar com a família de seu marido, no bairro da Abolição. Zica teve cinco filhos, três morreram quando crianças. Depois de casada, lavava e passava para fora, até começar as trabalhar como tecelã em uma fábrica na Mangueira.
Após a sua separação, Zica voltou para Mangueira e continuou trabalhando em casa, pois cuidava de uma de suas filhas que estava gravemente doente.
Zica e Cartola eram conhecidos desde criança, quando se reencontraram foram viver juntos em 1953, até o falecimento dele.
No final da década de 50, conseguiu, juntamente com o presidente da Associação das Escolas de Samba, uma sede para entidade.
No ano de 1974, o casal foi morar em uma casinha em Jacarepaguá. Logo, quando se tornou viúva de Cartola voltou para a Mangueira, onde morreu, participando da comunidade. Era diretora da escola, fazendo parte da parte dos Baluartes da Estação Primeira de Mangueira; pertencendo a um grupo composto por 22 personalidades que conforme a tradição desfilam no carro abre-alas da escola carioca.
Morreu em 22 de janeiro de 2003, como ícone máximo da escola de samba da Mangueira.
Rui Barbosa de Oliveira
O
"grande baiano", exerceu enorme influência no movimeto republicano, utilizando-se de sua capacidade de argumentação e retórica.
Jorge Amado
Escreveu Lenita enquanto trabalhava em "O Jornal".
Ailton Santana
C
onstruiu em Periperi um castelo com torres, ponte elevadiça e bandeirinhas.
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Religião:
Assim como em outros aspectos, a religiosidade encontra-se na Bahia caracterizada por uma variedade de religiões, seitas, igrejas, templos, terreiros, crenças separadas ou totalmente misturadas. Na Bahia é cena comum uma filha-de-santo rezando ao Senhor do Bonfim (Oxalá) ou um católico oferecendo caruru aos Ibejes (São Cosme e Damião). É o sincretismo religioso tão presente nas festas dos santos católicos, sinais de um tempo em que negros disfarçavam o culto a seus deuses.
Segundo Verger (1992), é difícil precisar o momento em que o sincretismo se estabeleceu no país ou mesmo na Bahia. É certo que os santos católicos e os deuses africanos se aproximaram cada vez mais devido a características físicas ou comportamentais. No entanto, as razoes para tal mistura de símbolos parecem ter sido diversas e benéficas ora aos brancos católicos, ora aos negros animistas.
Ainda escravos, os negros baianos eram proibidos de cultuar seus deuses, no entanto, podiam realizar manifestações culturais como o canto e a dança africanas. Para os senhores, tais manifestações não passavam de diversão e nostalgia. Para a igreja católica, exposição de primitivismo inofensivo. Para o estado algo que mantinha separada as nações e controladas as revoltas, já que as reuniões eram de grupos de origem diferentes. No entanto, para os negros, era a manifestação livre de sua religiosidade e de culto aos seus deuses.
Logo que a igreja católica entendeu o sentido das reuniões festivas e passou a ameaçar sua realização, os negros começaram a justificar seus atos como forma africana de cultuar os santos católicos e trataram de atribuir a cada deus africano um correspondente europeu. Aos olhos da igreja, os africanos se convertiam, mas, na verdade, os negros utilizavam os santos católicos para disfarçar deuses africanos aos quais realmente rendiam cultos. Com o passar do tempo, os benefícios dessa mistura superaram os interesses cristãos e o sincretismo passou a ser aceito e até incentivado pelos senhores de escravos.
Ao contrario do esperado, os hábitos religiosos africanos aos poucos modificaram o próprio catolicismo, influenciando a forma de culto e misturando nomes e características de santos e deuses, o que é tolerado, até certo ponto, pela igreja católica baiana. Os negros continuam a cultuar seus deuses, havendo para muitos praticantes a diferença entre deuses e santos.
Na Bahia é comum ir ao terreiro e à igreja. Brancos, negros, mulatos, pobres ou ricos, acreditam nos princípios católicos e do candomblé, ao mesmo tempo. O sincretismo há muito estabelecido se mantém e são comuns em festas católicas as manifestações das religiões africanas.
Para a maioria dos baianos, não há festa do Senhor do Bonfim sem missa solene e banho de pipoca nas escadarias da igreja. Por sua vez, os barracões de candomblé possuem sempre um altar com imagens de santos católicos.
Não só com o catolicismo o candomblé se combinou e absorveu conceitos. Houve, mais recentemente, segundo Carneiro(1977) a mistura do candomblé com o espiritismo que resultou nas chamadas "sessões de caboclo" comuns aos terreiros de todo o Nordeste inclusive Bahia.
No entanto, a Bahia de todas as crenças já foi muito diferente. A Bahia encontrada pelos portugueses não era católica, protestante, espírita ou animista. Era sim marcada pela crença em um misto de lendas criadas pelos índios, donos das terras, baseadas nas entidades naturais que explicavam a vida, a morte, a doença, a cura, as desgraças, as alegrias. Não havia deuses e deusas nas crenças dos povos indígenas e, as vezes, fatores importantes como o surgimento do sol, da terra, das estrelas ou da água não tinham resposta. O próprio Tupã ou Tupana parece ter sido criado por influencia dos jesuítas que o comparavam ao Deus católico. Segundo Ott(1995), alguns grupos indígenas não possuíam culto religioso nenhum, a sua espiritualidade podia ser observada apenas por suas lendas e histórias que respondiam as grandes questões filosóficas ou existenciais que perturbam todo ser humano seja qual for sua origem, língua ou crença.
Desrespeitando o credo indígena, a Bahia como todo o Brasil foi colonizada não só pelo estado português, mas pela igreja católica. Assim, o Brasil nasceu católico para os europeus e foi o catolicismo que imperou na Bahia por muitos anos. Com a chegada dos escravos africanos as religiões negras passaram a competir pelos fiéis mestiços. Com o tempo varias religiões e seitas chegaram ao Brasil, principalmente junto com os diversos imigrantes que desembarcaram aqui. Atualmente a Bahia possui grupos das mais diversas religiões e fieis que conseguem conviver com mais de uma delas. Bom exemplo são as Damas da Boa Morte, filhas e mães-de-santo que cultuam Nossa Senhora da Boa Morte, santa católica.
Catolicismo – Jesuítas começaram catequese pela Bahia
O catolicismo chegou ao Brasil junto com os jesuítas e foi a religião oficial do país por muito tempo. A religião católica e o reino português se confundiam e dividiam a ocupação das terras brasileiras. O rei dominava depois que os jesuítas controlavam os nativos, em troca, a religião dos jesuítas conquistava o novo mundo. Foram os jesuítas que instalaram na Bahia e em todo o resto do país o catolicismo, aprovado pelo rei português, que sufocou o credo indígena.
Desde a chegada de Manuel da Nóbrega em 1549, os jesuítas realizaram no Brasil a contra-reforma que pretendia recuperar os fiéis perdidos para o protestantismo na Europa, conquistando primeiro as almas dos indígenas e depois dos negros e mestiços. Ainda em 1515 foi criado na Bahia o Primeiro Bispado do Brasil.
Na Bahia, os jesuítas criaram uma estrutura de dominação religiosa, econômica e educacional. Segundo Verger (1981) as famílias eram fieis praticantes da religião, ofertando consideráveis doações à igreja, que logo acumulou fortunas em bens e propriedades. As mais importantes famílias baianas tinham um filho padre que lhe conferia respeito e status. Os filhos das melhores famílias freqüentavam as escolas dos jesuítas e eram muito bem vistos por isso. Com o tempo, apenas os ricos podiam manter seus filhos estudando em escolas dirigidas pelos jesuítas que aplicavam a educação escolar mais valorizada pela sociedade baiana e brasileira.
Segundo Mattoso (1992), o catolicismo oficial instalado no Brasil era o das obrigações e castigos, baseado numa pesada rotina de purgação dos pecados adquiridos no nascimento. Ao lado desse catolicismo oficial havia uma religiosidade voltada para a devoção influenciada por outras crenças, principalmente as religiões africanas que estimulam a dança, os rituais e as procissões das festas católicas. Esta última se diferenciava por seu caráter leigo, familiar e socializador além da importância que atribuía aos santos o que era muito favorecido pela falta de padres e pela distancia da hierarquia.
Nos séculos XVII e XVIII o cotidiano dos baianos estava impregnado do catolicismo. Em quase todas as casas havia oratórios nos quais as famílias faziam orações, no mínimo, três vezes por dia. Todas as festas, inclusive as civis, tinham traços religiosos como o tilintar de sinos e as missas festivas, ficavam repletas de fieis praticantes. No Natal e no Dia de Reis entre outras festas populares de caráter religioso eram realizados em casas e nas ruas como, por exemplo, os bailes pastoris, bumba-meu-boi e a chegança.
Eram muito freqüentes as irmandades, confrarias e ordens terceiras formadas apenas por leigos e que pouco se preocupavam com os sacramentos. As primeiras congregavam fieis em torno da devoção de um santo escolhido, geralmente de um mesmo grupo, cor ou classe social. A Irmandade da Misericórdia, de brancos da elite, foi fundada em 1550 na Bahia. A irmandade do Senhor Redentor da Bahia, fundada em 1752 era composta apenas por negros, grupo étnico encontrado na Bahia. Algumas eram mais que entidades religiosas como a Irmandade da Boa Morte, formada por mulheres negras que tramavam e facilitavam a fuga de escravos durante as reuniões.
Essas tradições foram reprimidas com o tempo, principalmente pelo fato de que pouco consideravam os preceitos católicos baseados nos sacramentos e por não precisarem de autoridades religiosas como padres, para realizarem suas atividades e recrutarem cada vez mais adeptos e devotos dos santos. Algumas delas ainda existem, mas por volta do século XIX já eram consideradas ultrapassadas. A hierarquia passou a recriminar e desvalorizar essas manifestações leigas autônomas que foram logo substituídas por grupos ligados diretamente ao clero como as diversas pastorais que levaram de volta para dentro da igreja e para debaixo do seu jugo o povo católico, afastando-o da superstição que impregnava o catolicismo do início do século XIX.
Protestantismo chega ao Brasil pelo Sul da Bahia
O protestantismo era uma religião cristã de brancos dominante na Europa e na América do Norte, que proclamava uma salvação cristã diferente da católica que foi bem conhecida pelos baianos ainda na época da colônia.
As igrejas protestantes se estabeleceram definitivamente no Brasil a partir da segunda metade do século XIX, primeiro no Sul do Brasil, depois nas outras regiões. Na Bahia, só no fim do mesmo século o protestantismo conseguiu se fixar fundando no estado a primeira Igreja Batista Nacional, desenvolvendo-se verdadeiramente no século XX.
A mensagem protestante era dirigida aos católicos livres, geralmente moradores do campo onde a ausência de sacerdotes tornava vulnerável a crença na religião católica e seus dogmas.
Segundo alguns autores o protestantismo atraia muitos católicos por permitir uma ligação direta com Deus através de orações sem a intermediação exercida no catolicismo pelo clero. Além disso, valorizava o caminho para a felicidade eterna enquanto a igreja católica pregava uma vida de sofrimentos e privações que, mesmo assim, podia determinar a vida eterna no inferno.
No entanto, na Bahia onde as crenças se misturam e agradam o povo, o protestantismo foi muito radical. A conversão da nova fé sempre exigiu o abandono de crenças e praticas antigas como aquelas ligadas aos rituais do candomblé, largamente praticados pelos católicos baianos. Enquanto o catolicismo foi sempre tolerante a pratica dos cultos africanos, permitindo que fieis participassem de sus rituais e recebessem os sacramentos ao mesmo tempo. Além disso, o protestantismo exigia dos fiéis um comportamento radicalmente diferente do habitual que afasta o indivíduo do convívio social baseado nas festas e reuniões populares que sempre caracterizou o povo baiano.
Islã Africano não ganha muitos adeptos na Bahia
Segundo Mattoso (1992), os primeiros africanos islamizados chegaram à Bahia provavelmente no fim do século XVIII e início do século XIX. Eram negros haussas e iorubas oriundos da África Ocidental, mais influenciada pela cultura islâmica, e chamados mulsumis ou malês.
Segundo Baptiste (1971), a maioria dos males vieram de tribos africanas de indivíduos puros ou mestiços com hamitas, portanto, islamizados e não mulçumanos de origem. Desta forma não foi introduzida na Bahia um puro islamismo de Maomé, mas uma mistura desse ao animismo das crenças africanas.
O islamismo nunca foi predominante entre os africanos na Bahia, no entanto, seus adeptos se distinguiam dos demais por diversos fatores. Por exemplo, o culto male influenciado pelo maometismo nunca se confundiu com outros cultos negros nem se deixou influenciar pelo catolicismo. Os males davam grande importância à educação, à leitura e à escrita e os caracteres árabes eram ensinados, pois era necessária a leitura do Alcorão para a religiosidade. O Alcorão era vendido no Rio de Janeiro e mesmo assim muitos adeptos o tinham e liam em casa ou em reuniões. Vários comportamentos dos islâmicos eram respeitados pelos adeptos baianos como a circuncisão dos meninos aos dez anos de idade e o jejum do Ramadã. Os males se diferenciavam também pelo seu comportamento diurno e sem excessos, totalmente diferente dos outros grupos negros e sua liderança, sempre envolvida nas revoltas contra a escravidão, era letrada e se destacava entre os indivíduos da população pobre baiana, negra ou não. Por fim, a cor da roupa e os objetos simbólicos como amuletos mágicos identificavam os males com sua religião e separavam os outros grupos de negros.
Segundo Baptiste (1971), o culto male baiano possuía uma autoridade central chamada Limano e várias secundárias chamadas Alufás. Estes eram autoridades responsáveis pelas cerimônias das sextas-feiras e dias santos,cerimônias chamadas Sara, correspondente a missa dos católicos. Havia também cerimônia de casamento e culto aos mortos, o qual é estranho aos mulçumanos que não cultuam a morte. Segundo o mesmo autor e outros estudiosos das religiões baianas, não se sabe muito sobre as crenças e os dogmas da religião mulçumana na Bahia.
Os males eram considerados mestres da magia negra e temiam os djins, espécies de diabos, embora não acreditassem no inferno e no diabo em si. Cultuavam Maomé e adoravam Alá, seu Deus. Cultuavam os mortos e realizavam sacrifícios, rezavam cinco vezes ao dia.
A religião muçulmana desapareceu quase completamente em toda a Bahia. Segundo Baptiste (1971) em 1937, a União de Seitas Afro-brasileiras da Bahia tinha ainda um candomblé de uma nação muçulmana. No entanto, apenas traços dessa religião eram mantidos como algumas palavras, expressões e orações inteiras usadas nos rituais como eram usadas nos momentos de oração dos Males.
Autores como Ramos (1979) concordam em algumas razões para o fim do islamismo negro na Baha. Os males constituíam minoria dentre os negros de outras religiões; não desejavam e evitavam a convivência com outros escravos por não serem maometanos; falavam na língua do país de origem usando termos árabes e evitando o português. Para os outros grupos negros, os maometanos não eram irmãos nem companheiros e suas crenças foram aos poucos substituídas ou incorporadas (em pequena parte) pelos cultos gêge-nagô que predominavam no estado da Bahia.
Candomblé – religião dominante
Em todo o Nordeste, principalmente na Bahia, a influência dos iorubas prevaleceu sobre todos os outros grupos, inclusive os daomeanos que chegaram a Bahia trazendo cada um sua religião própria. Com o passar do tempo esses diferentes grupos se misturaram física, social e religiosamente. No entanto, já no século XVIII, quando os cultos africanos começam a se organizar, os nagôs ou iorubas já eram maioria. Segundo Carneiro (1977) a relação que os cultos nagôs criavam com a terra de origem e com o catolicismo foram motivos primordiais para que se tornasse padrão para todas as religiões dos povos negros de toda a Bahia.
O candomblé é uma religião baiana, mas que reuniu em sua formação várias religiões negras de origem africana e crenças indígenas brasileiras. Para Siqueira (1994) é "uma continuidade cultural africana, re-elaborada na Bahia enquanto movimento da busca e reencontro de uma grande maioria de pessoas negras como um espaço de identidade e uma forma de enfrentamento da sociedade global. Mas também o local do culto aos Orixás e de vivência de mitos que falam da criação do mundo, do homem e suas relações entre si e com o mundo".
Como culto religioso organizado, o candomblé tem como provável marco de início na Bahia a fundação do Candomblé do Engenho Novo, por volta de 1830, na cidade do Salvador. Na década de 80, o CEAO (Centro de Estudos Afro Orientais) afirmou a existência de 1350 terreiros de candomblé registrados na Federação Baiana de Cultos Afro-Brasileiros, segundo Siqueira (1994).
No candomblé a existência humana se desenvolve simultaneamente no plano do aiê, mundo visível em que vivemos e no plano do orum, mundo do além. Segundo Mattoso (1992), o primeiro é o universo físico e o segundo é um espaço sobrenatural povoado por deuses e diferente do céu católico, pois inclui tudo o que existe no plano físico, inclusive a terra e o céu. Para Santos(1986), o ase é a força vital que impulsiona as práticas religiosas realizadas no aiê, ligando-o ao orum.
Segundo alguns autores o objetivo religioso do candomblé é permitir a presença dos Orixás, os deuses nagôs, entre os humanos. Os Orixás são identificados com elementos da natureza como água, vento, raio, trovão, e encarnam em pessoas escolhidas por eles a fim de conviver com os seus descendentes e ser reverenciados por eles. São exemplos Iemanjá, rainha das águas doces e salgadas, Xangô, senhor dos raios e trovoes, Iansã, senhora dos ventos e tempestades e Oxumaré que representa o arco-íris. Outros Orixás representam doenças como Omolu, proteção como Oxossi e Ogum, sentimentos como a vaidade representada por Oxum. A divindade da Criação é Oxalá e Exu, criado dos Orixás é o mensageiro entre os homens e os deuses. (Magalhães, 1974). Os vôdúns jejes são essencialmente os mesmos que os Orixás nagôs, mas são menos conhecidos por seus nomes verdadeiros por serem menos populares.
Segundo Carneiro (1978), candomblé é o nome dado aos locais onde os adeptos realizam seus rituais religiosos. No entanto, esse nome já designou qualquer festa de origem africana negra.
O candomblé é um misto de casa e local de festas e cultos, feito de barro e madeira, chão de barro batido e, às vezes, de cimento. Segundo Carneiro (1978), as paredes do candomblé não chegam ao teto e a casa geralmente possui grandes corredores, de onde partem quartos diversos e numerosos, pouco ventilados e mal iluminados. O barracão é o local destinado às festas localizado nos fundos da casa (independente) ou faz parte dela. Em geral é retangular, com duas ou três portas e algumas janelas. Acima da porta principal há um chifre de boi, um arco ou uma quartilha de barro votiva em homenagem a divindade protetora da casa. Dentro do barracão diversos enfeites decoram o lugar e homenageiam os Orixás. As casas maiores possuem ao redor do barracão várias casas pequenas chamadas assentos e destinadas aos Orixás. Uma é sempre de Exu e tem a porta trancada a cadeado, as outras são dedicadas aos Orixás protetores da casa. Alguns Orixás como Oxalá e Iemanjá não podem ter assentos fora de casa. Nos terreiros, geralmente, há duas árvores sagradas amarradas com panos brancos, sendo uma a gameleira, sede do deus Iroko e a outra uma gameleira branca do orixá Apaoká. A construção de um terreiro de candomblé é sempre precedida de um ritual onde o chefe da casa deposita nos alicerces da construção água dos axés, bichos de pena, moedas correntes, jornais do dia, água benta e flores.
O candomblé é moradia de diversos fiéis desamparados. O chefe da casa, geralmente, não mora nela. Recebe visitas diariamente das filhas e filhos-de-santo e dos fiéis que oferecem sacrifícios e comidas aos seus orixás de devoção. Na Bahia, os candomblés são formados, em maioria, por descendentes de africanos, principalmente de mulheres.
Durante a realização dos cultos existem lugares específicos para todos os participantes. No fundo, há cadeiras e sofás para visitantes; ao lado, num cercado de madeira, o lugar dos atabaques; no lado oposto, um altar católico; no resto dos espaços junto as paredes, bandos para os diversos assistentes que se dividem por sexo e categoria.
Segundo Carneiro (1978), numa cerimônia de candomblé são repetidos rituais há anos da mesma forma ou com pequenas modificações. Começa com a realização de sacrifícios de animais como galos, pombos e bodes em meio a cantos e danças sagradas. Desses animais se retira o sangue que lava as pedras dos orixás consideradas sagradas. Logo depois é feito um despacho para Exu pedindo permissão para a realização dos rituais que irão se seguir. São oferecidas comidas e bebidas como azeite, farofa, água ou cachaça que devem ser lentamente jogados na porta do barracão, no lado de fora, pois Exu é considerado o homem da rua.
Em seguida as filhas-de-santo cantam e dançam para todos os orixás, havendo três cantigas para cada um deles. Tudo ocorre sob o comando da mãe ou pai-de-santo, autoridade religiosa máxima do terreiro, que pode, após essas homenagens, encerrar a cerimônia. No entanto, é mais comum que ocorram ainda as manifestações dos orixás através do corpo das suas filhas chamadas cavalos por serem usadas pelos orixás para a comunicação com os mortais. É o chamado "baixar o santo". Ao ser homenageado com suas músicas, um orixá manifesta-se no corpo de uma ou mais filhas-de-santo predestinadas a servir de cavalo especificamente a ele. Ocorrem as manifestações de tantos orixás quantas músicas a elas sejam entoadas. Então, a mãe-de-santo ordena que sejam retirados do barracão e vestidos com roupas especiais e acessórios de cada orixá para voltarem ao barracão. Por exemplo, a filha de Xangô volta vestida de vermelho e brando, carregando nas mãos um machado em forma de T. Cada orixá dança sua música reverenciando a mãe da casa, abençoando as pessoas que a ele se dirigirem e curando moléstias se assim desejarem. Após a participação de todos os orixás, a mãe-de-santo costuma encerrar a cerimônia, que dura horas.
A orquestra do candomblé é simples e composta de atabaque (ilu), agogô e cabaça. Os atabaques são considerados especiais para a invocação dos deuses. Alguns candomblés usam também o adjá.
A iniciação das filhas-de-santo na Bahia segue os rituais da África como a reclusão no terreiro por um período de 17 dias, em média, abstinência de relações sexuais, rigorosa dieta, banhos rituais e depilação da cabeça. A cerimônia de iniciação chamada "dia de dar o nome", marca o momento em que a filha está pronta para dedicar-se e receber seu orixá em cerimônias.
Para diversos autores, o candomblé é muito mais que manifestação religiosa negra e vai além do encontro místico entre mortais e deuses. Para Siqueira (1994), o candomblé é cultura negra de identidade que promove a re-qualificação social de seus adeptos num espaço mítico e ritual, o terreiro. Atualmente é movimento sócio-cultural-religioso que expressa a cultura negra de forma total.
Na verdade, hoje, além de sede para cerimônias religiosas, nos terreiros realiza-se uma série de serviços sociais destinados às comunidades nas quais estão inseridos e fazem parte. São importantes exemplos as escolas e creches que incentivam a criação e a reprodução da arte e da cultura afro-baianas como as dos terreiros Ilê Axé Opô Afonjá e Ilê Axé Opô Aganju.
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A festa de Nosso Senhor do Bonfim
O culto ao Senhor do Bonfim teve origem em 1669, em Setúbal, Portugal. Ainda neste ano o culto chegou ao Brasil, junto com uma cruz de Jesus crucificado. Uma imagem igual à que existe em Portugal chegou à Bahia em 1745 e, em 1754, foi construída a atual Igreja (Basílica) de Nosso Senhor do Bonfim.
Esta festa é considerada a mais importante das comemorações de largo de Salvador. Com data móvel, os festejos religiosos (a parte sacra da festa) consiste num novenário que se encerra no segundo domingo após o Dia de Reis.
A festa realiza-se no Largo do Bonfim, bem em frente à igreja, no alto da Colina Sagrada, na última quinta-feira antes do final do novenário e é marcada pela lavagem da escadaria e do adro da igreja por baianas vestidas a caráter, trazendo na cabeça água de cheiro (muito disputada entre os fiéis) para lavar o chão da igreja e flores para enfeitar o altar.
Nos cultos afro-católicos, o Senhor do Bonfim é sincretizado com Oxalá, segundo Verger, "sem outra razão aparente senão a de ter ele, nesta cidade, um enorme prestígio e inspirar fervorosa devoção aos habitantes de todas as categorias sociais" (1997: 259). Ocorre também uma aproximação entre a festa católica e a dos cultos afro-brasileiros, as "Águas de Oxalá".
A festa da lavagem é atribuída à promessa de um devoto. Acredita-se que o ritual da lavagem teve origem nos tempos em que os escravos eram obrigados a levar água para lavar as escadarias da Basílica para a festa dos brancos, desde esta época um agradecimento do povo às graças concedidas pelo Senhor do Bonfim. Considera-se o ano de 1804 como o da primeira lavagem oficial.
O cortejo parte ainda pela manhã da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia e vai até o Bonfim, arrastando multidões num percurso de aproximadamente 14 quilômetros. Uma presença certa nesta caminhada é a de autoridades civis e militares, artistas e personalidades da cidade de Salvador, da Bahia e do Brasil.
Até a década de 50 as baianas tinham acesso ao interior da Igreja, onde o chão era lavado "com energia e entusiasmo" (Verger, 1990: 11), até que as autoridades eclesiásticas limitaram a lavagem apenas ao adro da Igreja.
Paralelo aos festejos religiosos, há ainda a festa "profana", marcada pela presença de barracas de comidas típicas e bebidas, desde o alto da Colina Sagrada. A partir de 1998 a parte carnavalesca da festa sofreu uma intervenção imposta pela Prefeitura Municipal e pela Arquidiocese de Salvador que, numa tentativa de defender as tradições históricas da festa, promoveram um afastamento dos trios elétricos e caminhões de blocos alternativos que acompanhavam o cortejo desde a Avenida Contorno, muitas vezes sequer chegando à metade do percurso e de uma certa forma desviando e desvirtuando o caráter religioso do dia, promovendo um mini-carnaval com direito a todos os excessos que lhe são peculiares. Mesmo com as restrições determinadas pela organização da festa, neste ano de 2000 a EMTURSA (Empresa Municipal de Turismo) estimou a presença de 300 mil pessoas nas ruas, acompanhando os festejos.
Como alternativa para os foliões de ocasião e para as agremiações, entidades e empresas envolvidas na promoção da parte profana da festa (que virou evento turístico, com altos investimentos e atraindo mais turistas do que a própria festa religiosa), ficou estabelecido que nos sábados seguintes à Lavagem do Bonfim aconteceria no bairro da Barra o Farol Folia, grito de carnaval dedicado aos blocos que ficariam afastados da festa de quinta-feira. O percurso é o mesmo conhecido no carnaval como Circuito Dodô e sai do Farol da Barra em direção ao bairro de Ondina, perfazendo um total de 4 quilômetros.
No dia 12 de janeiro de 2000 foi inaugurada a nova iluminação da fachada da igreja. O projeto de iluminação evidenciou as pilastras e a torre dos sinos, ressaltando os elementos arquitetônicos e criando volumes.
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Culinária:
- O vatapá é feito com azeite de dendê, coco seco, camarão fresco, amendoim torrado, miolo de pão, castanha de caju torrada e temperos.
- O acarajé é preparado com feijão fradinho, cebola, sal, camarão seco moído e dendê.
- A diferença entre acarajé e abará é que o primeiro é frito e o outro assado.
- Cravinho é uma infusão de cachaça com cravo, mel e limão.
- O estado da Bahia é responsável por 95% da produção de cacau no Brasil.
- Rumo ao sul, os pratos típicos desaparecem, dando lugar a comida sertaneja.
- O esoterismo da comida baiana foi herdado dos africanos que incrementaram com temperos os pratos indígenas e portugueses.
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Cultura
- Enquanto no tempo do fricote e deboche a coreografia era espontânea, hoje são encomendadas nas academias.
- A capoeira tornou-se um esporte competitivo em 1972, porém, nos anos de 1937 tinha sido proibida com decreto de Lei.
- A saia rodada, a blusa rendada, o pano da costa, o turbante, a sandália fechada na frente e aberta atrás tradicional e usadas pelas baianas de acarajé são de origem afrIcana e já transformaram em sua marca registrada.
- "Na Bahia, a cultura popular entra pelos olhos, pelos ouvidos, pela boca, penetra nos sentidos adentro". - Jorge Amado
- O samba é uma dança de origem africana, com movimentos de mãos e do Maxixe.
- A arquitetura baiana é o retrato da influência portuguesa na sua arquitetura, marcada por alguns traços italianos. As construções do século XVIII mostram um estilo claramente rococó.
A Bahia é um dos estados que mais contribui para a cultura nacional através de seus artistas que se manifestam em todas as áreas. Sobretudo nas artes que envolvem ritmos, como a música e a dança, do afoxé ao olodum.
- O carnaval baiano é uma importante manifestação cultural do estado e começa pelo menos uma semana antes do que o carnaval do resto do país. Em Salvador, a cidade pula em um só ritmo ao som dos trios elétricos, atraindo enorme número de turismo de todas as partes do Brasil e do mundo. A Praça Castro Alves, a principal da capital, reúne centenas de pessoas, enquanto em alguns pontos abrem-se clarões onde se formam rodas de capoeira, uma manifestação tipicamente baiana, surgida como meio de defesa dos escravos.
Feiras
- A feira de Água de Meninos, no Bonfim, existe desde o século XVII.
- A feira de São Joaquim conta com mais de sete mil barracas que vendem de tudo.
- A feira de Itapuã tem mais de 200 feirantes que vendem frutas, verduras e frutos do mar.
- A Feira do Rolo já tem mais de meio século.
- Na feira de artesanato de Mauá encontram-se peças de artistas plásticos da capital e interior.
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Museu:
- O Museu de Arte da Bahia, o mais antigo do Estado, foi fundado em 1918.
- O Museu Geológico foi criado em 1975.
- O Museu Aberlado Rodrigues no Solar do Ferrão, guarda a mais valiosa coleção sacra particular do Brasil.
- O Museu da Cidade reúne um acervo variado, indo de bonecas, terços, esculturas a peças de uso de Castro Alves.
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Curiosidades:
- A primeira escola de medicina do país, hoje, reúne três museus: o Afro-Brasileiro, o de Arqueologia e o de Etnologia, no Centro Histórico de Salvador.
- O chafariz do Terreiro de Jesus é de origem francesa e representa a deusa Ceres.
- O monumento da Praça Castro Alves foi feito em bronze e granito pelo italiano Pasquale di Chrico.
- O Centro Histórico de Salvador começou a ser revitalizado a partir de 1992.
- No Dique do Tororó é encenada, em palcos flutuantes, a Paixão de Cristo.
- As esculturas de metal do dique são de Tati Moreno.
- No Mercado Modelo podem ser encontrados figas, patuás, berimbaus, além dos mais variados tipos de artesanato baiano.
- A Velha Sé da cidade, de 1553, era um dos mais suntuosos templos das Américas na época.
- A rua JJ Seabra é palco do comércio de aves exóticas, vindas dos quatro cantos do planeta.
- O Parque das Esculturas é um museu a céu aberto, sob arcos da avenida do Contorno.
- A Praia dos Artistas é um reduto de boêmios, músicos, poetas e intelectuais.
- Com cenário natural e histórico, a Ponta de Humaitá é um dos pontos da cidade baixa.
- O Elevador Lacerda foi inaugurado em 1873, por Antônio Fancisco Lacerda.
- Os azulejos expostos no edifício da reitoria da UFBA foram retirados do Solar do Bom Gosto, possuem temas variados inspirados nos séculos XVIII e XIX.
- A Câmara dos Vereadores é de meados do século XVII, também funcionou como cadeia e prefeitura.
- O Instituto Geográfico da Bahia foi inaugurado para comemorar o centenário da independência baiana.
- A Praça da Liberdade, consolidada em meados do século XVII, foi palco de importantes momentos da história.
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Olodum:
História do Bloco: O Bloco Afro O Olodum foi fundado em 25 de abril de 1979 durante o período carnavalesco como opção de lazer aos moradores do Maciel-Pelourinho, garantindo-lhes assim, o direito de brincarem o carnaval em um bloco e de forma organizada. É uma Organização não Governamental (ONG) do movimento negro brasileiro.
Desenvolve ações de combate à discriminação racial, estimula a auto-estima e o orgulho dos afro-brasileiros, defende e luta para assegurar os direitos civis e humanos das pessoas marginalizadas, na Bahia e no Brasil.
Os fundadores:
· Carlos Alberto Conceição do Nascimento – Presidente
· Geraldo Miranda – Vice-Presidente
· José Carlos Conceição do Nascimento – Secretário
· José Luiz Souza Almeida - Secretário
· Francisco Carlos Souza Almeida – Diretor de Som
· Antônio Jorge Souza Almeida – Tesoureiro
· Edson Santos da Cruz – Relações Públicas
Ação social, eventos e a comunidade do Maciel-Pelourinho: O Olodum realiza durante o ano, várias atividades que criam oportunidades e geração de renda para os comerciantes na área do Maciel - Pelourinho.
A Casa do Olodum: O imóvel que abriga, atualmente, a Casa do Olodum está situado à Rua Gregório de Mattos, 22 – Pelourinho, em Salvador, Estado da Bahia. É um imóvel que está diretamente ligado à história da rebeldia social e política do negro baiano, pois foi construído entre os anos de 1790 e 1798, este último o ano da deflagração da Revolta dos Búzios, primeiro movimento político a pregar o fim da escravidão no Brasil e a república como forma de governo.
Este imóvel foi abandonado na década de 50 por uma família de origem espanhola que o adquiriu na década de 20. Em 1985, o Olodum comprou o imóvel, que na época estava completamente destruído. Recuperado, foi instalada a Casa do Olodum com o objetivo de sediar o centro de suas atividades, de suas ações e do seu pensamento político e filosófico. O projeto de reconstrução do imóvel coube a arquiteta Lina Bo Bardi, que planejou o interior de forma moderna e, no plano externo, manteve todas as características do estilo colonial.
As obras de reconstrução foram feitas pela FAEC, empresa da Prefeitura Municipal do Salvador, que usaria o projeto como base para a recuperação de outros imóveis seculares do Maciel-Pelourinho.
A reconstrução da casa foi iniciada em 1987 e várias vezes paralisada. Em 1990, as obras de restauração foram reiniciadas com o apoio da construtora Góes Cohabita e com os recursos provenientes da gravação de um videoclipe com o cantor americano Paul Simon. Dessa maneira, a obra foi, definitivamente, concluída.
Em 25 de abril de 1991, ao completar seu 12° aniversário, o Olodum inaugurou a Casa do Olodum, em meio a uma grande festa que contou com a presença do então Prefeito de Salvador, Sr. Fernando José.
A Casa do Olodum funciona diariamente das 9h às 18h. Permanentemente, expõe mais de sessenta quadros sobre a cultura negra mundial. São quadros sobre a cultura egípcia, a cultura Rastafári e a cultura baiana. Exibe também um Disco de Platina, ganho em virtude da venda da de mais de um milhão de cópias do disco gravado com Paul Simon, além de vários troféus recebidos em diversos países, como prova do reconhecimento de nossa luta contra o racismo.
A Casa do Olodum, é composta de três pavimentos. No térreo, funciona uma loja vendendo produtos – camisas, bonés, chaveiros, bonecas - com a marca Olodum. No primeiro piso, funciona a secretaria e o escritório da diretoria de administração. No segundo piso funciona o auditório Nelson Mandela, um salão com capacidade para sessenta pessoas usado para cursos, seminários, palestras, reuniões e encontros de militantes do movimento negro, artistas, produtores culturais, intelectuais e turistas, funciona também a sala da diretoria de cultura e a da presidência. Trabalham na Casa do Olodum, diariamente, cinco diretores que estão aptos a explicar a história e atividades do Olodum além de quatro funcionários e eventuais voluntários e colaboradores que atuam auxiliando a diretoria.
Há quinze anos inaugurada (1991/2006), a Casa do Olodum já foi visitada por mais de quinhentas mil pessoas, entre estudantes, turistas, militantes negros, políticos, ministros, diplomatas, embaixadores, músicos nacionais e internacionais, dirigentes de instituições de direitos humanos, representantes de ONGS e líderes mundiais da luta contra o racismo. A Casa do Olodum é um símbolo vivo da cidadania.
Projeto Educacional: Dentro de uma visão pedagógica moderna, a Escola Criativa Olodum desenvolve suas atividades a partir de sete Núcleos, assim denominados:
- Juventude & Liderança Olodum
- Arte-Educação Profissionalizante
- Mostra de Arte e Cultura Olodum Mirim
- Seminários de Cultura e Tecnologia Afro-brasileira
- Comunicação Social – Rádio, Jornal e Site
- Formação & Documentação
- Mobilização Social
A Escola propõe um trabalho de atenção a todos os movimentos que acontecem na comunidade escolar, e não só no espaço físico da escola. Trata-se de olhar o cotidiano da comunidade em que alunos e os profissionais em educação convivem, as formas de organização desta população, a possibilidade de contribuir para a elaboração de políticas públicas capazes de transformar as relações de preconceito, discriminação e racismo na sociedade brasileira.
Desta forma, a Escola Criativa Olodum busca garantir às crianças e adolescentes a atenção e respeito aos valores culturais, artísticos e históricos próprios de seu contexto social, garantindo também sua liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura. Além disso, a escola realiza um trabalho preventivo no combate ao uso de drogas lícitas e ilícitas, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (como Aids) e demais riscos a que estão sujeitos jovens em situação de vulnerabilidade social e pessoal, propiciando o fortalecimento dos vínculos familiares, escolares e comunitários.
Trabalho Social: A grande diferença entre o Olodum e a grande maioria dos grupos artísticos, é que mesmo sendo os shows da Banda Olodum e o carnaval do Bloco Afro Olodum dois elementos cruciais para a manutenção da instituição, não ficamos embevecidos pelos holofotes do mercado de entretenimento e da indústria cultural. Ao contrário, o Olodum desenvolve uma vigorosa ação sócio-cultural. Ou seja, usa os elementos da cultura afro como instrumento de promoção e transformação social, de modo a harmonizar o fazer cultural com a cidadania. Isso é o que muitos chamam de cultura engajada.
Esse trabalho social tem como principal expoente a escola olodum. Tem ainda, os seminários que são realizados anualmente: o “Mãe, Mulher, Maria”; o “Você Sabe a Cor de Deus?”, o Seminário de “Educação e Diversidade Étnica” e o “Cultura, Ciência e Tecnologia”. Todos eles contribuem para formar e informar intelectuais e militantes, artistas e admiradores, os mais jovens e os mais experientes. Um verdadeiro encontro de gerações a discutir respeito dos temas abordados, e a conhecer respeito da visão e posicionamento do Olodum sobre tais questões.
O FEMADUM, mesmo sendo um festival de música e artes, cumpre também o seu papel social, tanto ao dar oportunidade e a revelar a artistas da terra e a anônimos, proporciona, gratuitamente, espetáculos artísticos de qualidade com grandes nomes da música nacional e internacional. Além de tudo isso, um número significativo de moradores do Pelourinho e adjacências e de outros bairros populares da cidade, tem no Femadum, a oportunidade de melhorar suas rendas, ao venderem alimentação e bebidas durante os três dias de evento.
Quer seja por com a escola, com o bloco, com a banda, com os seminários ou as campanhas promovidas, o Olodum seduz e valoriza os afro-brasileiros e os socialmente vulneráveis.
FEMADUM: O Festival de Música e Artes Olodum, que tem por objetivo promover a cultura e a música da matriz africana, dar visibilidade aos artistas populares e homenagear personalidades que atuam pelo desenvolvimento social e cultural da população afro-brasileira. Através desse evento criam-se novas perspectivas em relação à cultura de rua da Bahia. Contribui-se também para o desenvolvimento de diversas manifestações artísticas e culturais afro-baiana, promovendo o intercâmbio cultural entre povos de diferentes culturas.
Revolta dos Búzios: O Festival da Revolta dos Búzios é um evento público, que se propõe a valorizar e difundir a cultura popular de matriz africana. Tem por objetivo selecionar composições musicais que expressem, de forma poética, aspectos importantes do que foi o Movimento de 1798, denominado oficialmente de Conjuração Baiana. Para o Olodum, como uma organização da cultura popular afro-brasileira, esse movimento é denominado de Revolta dos Búzios, numa alusão ao elemento utilizado entre os revoltosos que foram enforcados em praça pública.
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Casa de Cultura da Mulher Negra:
História:
- Inaugurada em 30 de junho de 1990, em Santos/SP;
- Desde 1991, a CCMN oferece assistência jurídica a mulheres, homens e crianças em caso de racismo e oferece apoio legal a mulheres e crianças vítimas de violência doméstica e sexual;
- Oferece desde 1993, aconselhamento psicológico para mulheres e crianças assistidas pelo serviço jurídico da CCMN. Em caso de racismo, esse aconselhamento psicológico
é oferecido também aos homens negros;
- Em 1993, co-promoveu o "I Encontro Nacional de Entidades Populares" sobre a violência contra mulher;
- Em 1994, realizou o "Encontro de Mulheres Negras da Baixada Santista" tendo como tema
a violência racial, sexual e doméstica;
- Em 1995, lançou a Campanha "Violência Contra a Mulher: Tolerância Zero" e inicia a Campanha "Violência contra a mulher, uma questão de Saúde Pública",
- Na área racial, lançou, em 1997, a Campanha "Por uma Educação sem discriminação" para sensibilizar educadores/as por uma educação anti-racista;
- De 1995 a 1998, a Casa de Cultura da Mulher Negra atuou como secretaria-executiva da sub-região Brasil da Rede Feminista Latino-americana e Caribenha de combate à Violência Doméstica e Sexual, sob a coordenação de Alzira Rufino;
- II Encontro Nacional de Entidades Populares, com participação de 50 organizações, sobre o tema "Violência contra a mulher, uma questão de Saúde Pública", em 1997, em parceria com União de Mulheres de São Paulo;
- Em 1999, a Casa promoveu o Seminário Nacional "Saúde, Mulher e Violência Intrafamiliar", com participação de 60 organizações do Brasil e convidadas da Argentina (Ministério de Bem Estar Social), Angola (Ministério da Família e Promoção da Mulher), África do Sul e Estados Unidos;
- No ano 2000 e 2001, a Casa participou do processo brasileiro da Conferência Mundial contra o Racismo, criando o Boletim Eparrei on-line em junho de 2001;
- Lançamento da Revista Eparrei em novembro de 2001.
Representação internacional da Casa:
- CCMN foi uma das 20 organizações internacionais participantes, em 1991, de um estágio nos Estados Unidos, sobre violência contra a mulher;
- Em 1993, foi uma das organizações brasileiras que representou o Brasil no Fórum paralelo das Ongs da Conferência Mundial de Direitos Humanos, em Viena, 1993;
- Participação na Conferência Internacional sobre Violência contra a mulher, em Brighton, Grã-Bretanha, em 1996, através de Alzira Rufino, convidada como uma das conferencistas do evento;
- A convite do Programa "Making the Links with Brazil", do Milton Keynes World Development Education Centre, educadoras da CCMN,visitaram, em 1996, escolas e organizações da cidade de Milton Keynes,na Grã-Bretanha; posteriormente, em 1997, uma educadora de Milton Keynes visitou CCMN, escolas e organizações de Santos;
- Visita, como consultoras, ao Masisukumeni Centre, na África do Sul, em agosto/98, organização que atende mulheres vítimas de violência doméstica/sexual, na zona rural; representantes do Masisukumeni Centre visitaram CCMN e a Delegacia da Mulher
de Santos, em junho/99;
O Conselho Permanente da (Organização dos Estados Americanos (OEA) em sua sessão de 9 de maio de 2001 credenciou a Casa de Cultura da Mulher Negra para acompanhar, enquanto organização não-governamental, as atividades da OEA, contribuindo nas áreas de sua especialização. A CCMN foi a primeira ONG brasileira a receber esse credenciamento junto à OEA.
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